domingo, 26 de outubro de 2008

A hora aghá

Bom dia vida. Hoje atrasaste-me uma hora e aqui estou, acordado numa madrugada de Domingo. Dou por mim no silêncio, ouvindo-o e pesquisando-o. Sobressalto-me com todos os pequenos sons que surgem de repente e que num repente desaparecem. Vou à janela e a luz matinal é crua e fria, mas está uma manhã solarenga, esplenderosa. Sabes vida, tu às vezes és bonita. Hoje vais dar luz a todos aqueles lisboetas que se levantam num Domingo para exercitar o corpo, mais por moda do que pela própria saúde ou equilíbrio. Eu já fiz muita ginástica quando era puto e o resultado foi danoso para as costas e joelhos. Agora doi-me tudo quando acordo. Depois passa. Mas gostava de emagrecer e enganar a idade numa década. Ó vida, vê lá se tu própria acordas! Olha em redor e vê o que andas a fazer a todas as pequenas formigas que se julgam semelhantes a deus. Não lhes garantas nem lhes ofereças. Deixa-as estar. Às vezes é bom apenas estar. Ou ficar. Tudo depende do tempo e esta hora que me roubaste já não existe. Perdeu-se para sempre. Pois é vida, em 60 minutos pode acontecer muita coisa. Se acordarmos fazemos a mesma coisa que faríamos mais tarde. Se ainda dormíssemos, poderíamos sonhar com algo grandioso ou traquinas. Repõe lá os minutos, se faz favor.

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